Sibéria?!

Olá caros leitores!

Todos os anos por esta altura (mais semana, menos semana) costumo deixar por estas bandas um post que carinhosamente apelidei de “momento  Anthímio de Azevedo” no qual me lamento das condições climatéricas da terra onde decidi viver.

Apesar de já estar habituado e de saber que caso estivesse na minha casa de Portugal sofreria muito mais do que estando na Polónia, há alturas em que os números ainda me deixam de boca aberta. Este é um desses momentos:

inverno2012

26 graus negativos, dass! Vinte e seis! Que eu me lembre, em anos mais recentes, só no mítico inverno de 2005/2006 se registaram temperaturas tão baixas como as que agora se fazem sentir e nessa altura ainda não vivia cá.

Claro que podia aqui mencionar que caso meta o aquecimento de casa no nível 3 de 5 fico com calor e que só me lembro da vaga de frio nos 3 minutos diários que passo a correr entre um qualquer edifício aquecido e o carro, mas giro giro é deixar-vos a imaginar o que é sentir vinte e seis graus negativos. VINTE E SEIS!!!!

PS – Pelo menos sempre temos máximas de -16ºC!

Share on Twitter
0 comment

O fim do Kitsch e do Łubu-dubu?

O post anterior em que vos contei o que é número 15 da rua Wielopole foi apenas um prelúdio a este.

Na noite passada, pelas 2h30 da manhã, as escadas que ligam o Łubu-dubu ao Kitsch ruíram e só por muita sorte não houve vítimas graves. Segundo a imprensa local registaram-se 11 feridos ligeiros e foram evacuadas aproximadamente 2000 pessoas, uma a uma, pelas janelas do edifício uma vez que as saídas de emergência são inexistentes.

Wielopole  Wielopole

Wielopole 15, Kraków  Wielopole

A notícia não surpreende ninguém que conhecesse o sítio em questão pois qualquer leigo poderia facilmente aperceber-se do mau estado de conservação do edifício Já desde 2006, quando o conheci, se dizia que “um dia isto cai tudo” enquanto o chão e as escadas abanavam com o peso de milhares pessoas a dançar…

Desta vez caiu mesmo.

Share on Twitter
5 comments

Wielopole 15, Kraków

À primeira vista parece um edifício habitacional devoluto e os mais distraídos que por lá passem durante o dia estarão longe de imaginar que o número 15 da rua Wielopole em Cracóvia alberga alguns dosWielopole 15, Kraków locais mais míticos da noite Cracoviana.

Cada “apartamento” deste prédio sujo, feio, escuro e semi-abandonado no centro da cidade esconde uma discoteca diferente e todas elas têm em comum o facto de serem tão más que parecem irreais – entrar aqui é como viajar no tempo e no espaço para um qualquer local de entretenimento do “outro lado” da Cortina de Ferro. E isso, por estranho que pareça é uma das coisas que torna este local tão único e especial.

Quando a noite cai esta é invariavelmente a última paragem para centenas de noctívagos de Cracóvia. Enquanto os outros espaços da cidade fecham as portas, aqui a noite apenas está a começar e a festa dura até (literalmente) ao amanhecer.

Apesar de existirem mais clubes no prédio, aqueles que fazem parte da minha história em Cracóvia são apenas dois: o Łubu-dubu e o Kitsch.

O Łubu-dubu é uma espécie de discoteca temática dos anos 80 polacos e é normalmente aqui que a visita ao prédio se inicia.

Lubu-Dubu Lubu-Dubu Lubu-Dubu

Uma cerveja, dois dedos de conversa, uma voltinha pela pista de dança para ver como estão as coisas. Outra cerveja, mais dois dedos de conversa e outra visita à pista de dança. E o local começa a esvaziar.

Para onde vai toda a gente? Para casa? Não! Aparentemente todas as festas da cidade convergem para para o último andar, onde se encontra o famoso Kitsch.

Kitsch é realmente um nome apropriado ao que se encontra lá em cima. O chão é pegajoso, as casas de banho são inacreditavelmente sujas e molhadas, a decoração é horrível, o espaço é quente e mal ventilado mas… o conjunto é priceless!

Kitsch2 Kitsch Kitsch 

Apesar do cenário surreal a diversão está garantida a cada visita. Dizem as más-línguas que é “O” spot para os engates de final de noite, mas isso não vou comentar – deixo ao critério dos visitantes. A verdade é que até ao amanhecer a pista está sempre cheia de jovens estudantes locais e também de muitos estrangeiros… ah, e obviamente o álcool é coisa que nunca falta ou não estivessemos nós na Polónia!

Talvez o segredo do sucesso destes sítios seja o facto de serem 100% genuínos, despretensiosos e conservarem a sua alma original, indiferentes ao mundo que os rodeia. Quando me recordar do tempo que vivi na Polónia haverá sempre um capítulo especial dedicado a estes espaços noturnos porque, como diria o senhor obeso da televisão, eu também já fui muito feliz no Wielopole 15. Smile

Share on Twitter
0 comment

Começou!

Neve! Neve!

Share on Twitter
0 comment

Conduzir em Cracóvia é…

- Circular sempre a 40km/h, apesar de não existir ninguém à nossa frente e a velocidade máxima permitida ser 70km/h;Este sinal é real e encontra-se junto a muitas passadeiras!

- Ignorar a utilidade da faixa da esquerda e circular nela embora não tenhamos qualquer intenção de ultrapassar ou mudar de direcção;

- Começar a reduzir a velocidade quando nos aproximamos de um semáforo verde, não vá ele mudar para vermelho e ficarmos sem tempo para parar;

- Esquecer qualquer um dos três primeiros pontos e acelerar a fundo caso haja algum peão a tentar atravessar na passadeira;

- Ligar o pisca sempre que se rode o volante, mesmo tratando-se apenas de uma curva sem qualquer outra opção de direcção;

- Ter mais partes da estrada com buracos do que alcatroadas;

- Ver o trânsito fluir normalmente após uma semana de neve intensa, mas ficar completamente bloqueado caso chova apenas durante um dia.

Share on Twitter
5 comments

Primeiro a tragédia, agora a polémica…

Na manhã do passado sábado escreveu-se mais uma página negra na história da Polónia: o avião que transportava o Presidente Lech Kaczyński e grande parte dos altos responsáveis da Polónia despenhou-se ao tentar aterrar em Smolensk, na Rússia, onde iriam participar numa cerimónia de homenagem às vítimas do Massacre de Katyń. Não houve sobreviventes.

O país ficou em choque e nos dias que se seguiram uniu-se para rezar e chorar os seus mortos. Responder a questões como quais as circunstâncias em que os pilotos ignoraram as intruções dos controladores de tráfego aéreo russos ou como foi possível meter tantas figuras relevantes dentro do mesmo avião passou a ser algo secundário.

A união em torno da figura do Presidente durou até hoje, dia em que surgiu uma polémica que ainda promete dar muito que falar. A família de Kaczyński solicitou às autoridades que ele fosse enterrado no castelo de Wawel, em Cracóvia, e o pedido foi prontamente aceite. Wawel é o equivalente polaco ao Mosteiro dos Jerónimos: é lá que estão enterrados as mais importantes personagens da história da nação e, tal como nos Jerónimos, é preciso ter feito mesmo muito para que lá se “mereça” um lugar. E Kaczyński não o fez.

Até à semana passada Kaczyński era para a maioria dos polacos uma figura pouco querida. Não era propriamente considerado um grande presidente e era geralmente aceite a ideia de que iria perder as eleições de Outubro. Durante a sua presidência foram certamente mais as vezes que embaraçou os polacos do que aquelas em que os terá deixado orgulhosos das suas atitudes. O facto de ser o representante máximo do Estado Polaco e de ter falecido de forma tão trágica e inesperada uniu os polacos, mas isso não significa que por ele alguma vez tenham sentido uma verdadeira admiração.

Tendo isso em atenção é fácil compreender a onda de protestos que se está a gerar na Polónia e em particular em Cracóvia. Os cracovianos não querem Kaczyński em Wawel! A decisão de o tratar como um herói que ele nunca foi está a transtornar grande parte da população que acha insultuoso colocar tal personagem ao lado dos genuínos representantes da história polaca. Já existem várias petições e estão previstas algumas manifestações contra esta decisão, mas aparentemente a escolha é mesmo final.

Mal posso esperar para ver o caos em que se irá transformar a nossa “aldeiazinha” quando no domingo cá estiverem Obama, Putin, Merkel e companhia…

Share on Twitter
5 comments

Viver em Cracóvia (o post que eu não escrevi!)

Recentemente, o leitor Sousowski deixou-me um dos melhores comentários que já tive o prazer de ler aqui no site. Achei-o tão interessante que resolvi dar-lhe o destaque que merece, publicando-o sob a forma de post. Quem esteja a pensar viver em Cracóvia fica com uma imagem muitíssimo fidedigna do que poderá esperar desta cidade e quem cá viva ou tenha vivido certamente se identificará com tudo o que o Sousowki descreve.

Aqui fica:

“Existe algo em Cracóvia que após 4 anos não sei explicar. Um sentimento de negação de tudo o que possa ser mau desta cidade.

Cracóvia é realmente uma cidade com um centro muito bonito, um belo castelo, uma cidade cheia de  história e de eventos marcantes ao longo dos séculos, mas não passa a ser superior a muitas outras por isso, somente para os Cracovianos que a defendem cegamente e negam muitas das fraquezas que ela mantém.

Relativamente ao tópico, só há que dizer que tens toda a razão. Apesar de muito turistica, Cracóvia e de uma forma geral a Polónia tem um deficit em bons restaurantes com cozinha internacional. O único restaurante Português de Cracóvia, só tem de Português o nome e alguns pratos (infelizmente por vezes mal escritos), porque a cozinha nem é carne nem é peixe, é algo meio polaco…

O Brasileiro, nem vou comentar. Basta dizer que chego lá todo contente e digo “Bom dia”… ninguém falava português, sento-me e evidentemente com os meus amigos portugueses pedimos “Picanha”… Picanha? O que é isso… Penso que é suficiente…

Chineses nem pensar, indianos… hm, será mesmo comida indiana? Ia jurar que era comida polaca com uma mudança de nome.

Isto tudo tem algumas explicações, que passam pela ignorância ou desinteresse dos investidores e por alguma resistência a outros sabores por parte do polaco típico (raras excepções).

Alargando o tema, no fundo Kraków, como é denominada em polaco, sofre das opções que foram tomadas por quem segue ao leme desta cidade e da região da Małopolska (Pequena Polónia).

O investimento centrou-se no imediato e na satisfação de determinado target de “clientes”.

É impossível não reparar nas centenas de bares e “dancings” que enchem o centro da cidade e o Kazimierz (Bairro Judeu), as dezenas de Lojas que vendem Kebabs, as festas constantes, o álcool, sexo…

Cracóvia é uma cidade de consumo, que depois é usada e deitada fora, quer pelos turistas quer pelos muitos estudantes que para aqui se deslocam para frequentar alguma instituição universitária.

Cracóvia ganha com os euros deixados pelos turistas e pela mão de obra barata fornecida pelos estudantes, que trabalham por 200 ou 250 euros por mês, tem vida nocturna e actividades culturais constantes para animar os visitantes, mas perde muito… porque no fundo cada local é feito por quem lá está.

Nos arredores, ou não muito longe há Wieliczka, umas minas de sal que sem dúvida vale a pena visitar, há Oświęcim (Auschwitz), há Zakopane (umas montanhas a 100 Km) e outras cidades e locais históricos.

Cracóvia tem também a vantagem de estar um pouco perto de tudo o que a rodeia, tendo várias cidades e capitais europeias bastante perto. No entanto, o melhor é pensar em usar o avião, ou estar preparado para mudar os amortecedores ao carro se for de automóvel, ou levar um bom livro se usar o comboio, uma vez que além de estradas péssimas (sem dúvidas das piores de toda a Europa), os comboios andam como a lesma (excepção da ligação para Varsóvia).

Os serviços são em regra bastante maus, em muitos casos pouco superiores aos da Ucrânia ou  Bielorussia, com uma burocracia de bradar aos céus, mesmo para um “portuga”, constratando com a amabilidade e empenho em ajudar do cidadão comum.

Defesa do consumidor, livro de reclamações, horas de encerramento, são coisas que um polaco nem sequer conta com elas. Se tiverem que ir a algum serviço público, vão pelo menos meia hora antes do encerramento, senão já está fechado. Nos restaurantes recusam-se a servir, em pleno Wawel, por exemplo, 1 hora antes do fecho, uma vez que a cozinha já está lavadinha  Reclamem! Sempre!

Os salários têm vindo a aumentar, mas os preços ainda mais, não sendo fácil para um polaco de classe média viver desafogado. A alimentação é mais barata que em Portugal, mas querendo qualidade, paga-se…

Os polacos são em regra muito simpáticos socialmente e é fácil fazer amizades, mas a língua é ainda uma barreira, principalmente para a faixa etária mais idosa. Saber o polaco básico é uma vantagem enorme.

O preço das propriedades em Cracóvia é desporporcional relativamente ao que a cidade oferece, mas isso claro é sempre discutível, se bem que agora a crise bate à porta e no último ano o valor dos apartamentos baixou em média 15% por metro quadrado. Aproveitem capitalistas!

O clima é mau no inverno, deprimente até, mas o verão e primavera são agradáveis. Excelentes meses para viajar e passear, com muitos locais verdes e paisagens simpáticas para apreciar.

Para terminar, e desculpem o livro, a segurança é um ponto forte. Sinto-me aqui muito mais seguro que em Lisboa ou outras cidades portuguesas, e isto é um factor sempre a ter em consideração.

Uma cidade em que é agradável viver, principalmente quando se é jovem, mas em que não se criando raízes não poderá rivalizar com outros países vizinhos, principalmente no que se refere à qualidade de vida.” - Sousowski

Uma vez mais obrigado ao Sousowski pelo contributo!

Share on Twitter
6 comments

FYI – Festa “I Love Portugal”

Recebi hoje no mail um convite para uma festa chamada “I Love Portugal”, que vai ter lugar no Midgard em Cracóvia nesta sexta-feira (dia 11).

Portugal Night

Apesar de eu já não ser estudante Erasmus há uns tempitos, o tema da festa parece-me muito bem e vou de certeza lá passar. A julgar pelas informações do Facebook vai ser uma noite cheia de cultura portuguesa, com muita sangria, música “típica portuguesa” e… salsa! (“isso da Ibéria é tudo igual”, pensam eles!) :-) .

Se estiverem por Cracóvia estão todos convidados! Mais informações aqui.

Share on Twitter
2 comments

Mais um dia

Acordei cedo; ainda era noite. Felizmente na casa nova instalei estores “portugueses” que me deixam ignorar o que se passa lá fora. Faça chuva, neve, frio ou calor para mim é igual. Como o aquecimento da casa é inteligente e a temperatura ambiente é constante independentemente do que se passe na rua, quem me acorda é invariavelmente o meu despertador que finge ser o sol (e funciona mesmo!). Acabou aquela coisa de não querer sair da cama no Inverno por ainda ser noite ou não conseguir dormir no Verão por ser dia a partir das 4 da manhã. Menos mal…

Fiz a barba e tomei um duche em que passei metade do tempo a brincar com o rádio da cabine da banheira. Ainda não consegui encontrar uma estação de rádio que passe músicas que me façam ter  vontade de acordar. A rádio mais popular cá do sítio é a RMF FM e passa músicas que não lembram a ninguém. Durante os 10 minutos que dura o duche, tanto podem passar clássicos dos anos 80 e 90 como dance music ou outra coisa qualquer. É como uma caixa de chocolates, nunca se sabe o que de lá vai sair! (Nota mental: tenho de rever o Forrest Gump e tentar perceber porque é que a vida é como uma caixa de chocolates; afinal das caixas de chocolates saem sempre chocolates, ou não?!) Voltando à RMF FM: o pior é quando começa a publicidade, é certo que não vai acabar antes do duche e tenho que encontrar outra coisa qualquer. Por mais zapping que faça aparecem-me quase sempre mais rádios com longos intervalos publicitários ou com senhores polacos a tentar terem piada e a rirem-se das palermices que eles próprios dizem.

Como todas as manhãs, depois do duche passei os olhos pelas capas dos jornais portugueses enquanto comia o pequeno almoço. Nada de especial, a não ser o facto de agora o Super-Benfica também perder jogos. Já nem me lembrava de como uma derrota na Luz me faz sentir tão mal.

Depois de tratar do resto da higiene e de me vestir à pressa saí de casa a correr porque, como sempre, já estava atrasado. No corredor encontrei um dos vizinhos que nunca tinha visto antes. Deve ser um senhor muito moderno porque estava vestido com uma camisa cor-de-rosa, umas calças de ganga justas e uns ténis com umas risquinhas também cor-de-rosa (vá, pronto, também posso escrever sapatilhas apesar de achar que isso é para a ginástica!). Disse-lhe dzien dobry e cada um seguiu o seu caminho.

Aproximei-me do carro e verifiquei se estava inteiro; este é um triste hábito que ganhei desde que vivo na Polónia. Felizmente agora moro num condomínio fechado e os bêbados deixaram de me partir os espelhos ao pontapé ou de roubar partes do carro durante a noite, por isso estava tudo como o tinha deixado. Viva a civilização!

A minha casa fica a 2km do centro da cidade e a 5km da “megacorp” onde trabalho pelo que em menos de 10 minutos cheguei ao trabalho (mal dá para o motor aquecer).

Chegado à “megacorp” fiz o mesmo trabalho repetitivo, pouco desafiante e nada analítico que me está reservado enquanto lá trabalhar. Ai, ai, tantos anos na “Universidade de Prestígio” e de experiência profissional, para agora fazer isto… Como todos os dias, ouvi falar polaco a manhã inteira salvo quando as colegas que falam português me dirigiam a palavra ou quando havia o tradicional cafezito com os poucos portugueses que ainda restam na “megacorp”.

À hora do almoço, mais um desafio: encontrar o prato menos mau da cantina. É que a cantina da “megacorp” é das piores coisas que se possa imaginar! Um dia farei um relatório com as comidas que nos são dadas as escolher, mas até fico triste só de pensar nisso. Hoje consegui encontrar uma carne grelhada que sabia surpreendentemente a carne mas era tão pequenina que se comia em três garfadas. Na afiliada portuguesa da “megacorp” as senhoras da cantina eram muito simpáticas e quase nos convenciam a comer mais; aqui, caso nos queixemos de que a carne é pouca, dizem-nos com um ar antipático que se levar mais tem de pagar dois pratos. Normalmente isto não é um grande problema porque a comida é tão intragável que não há quem a repita!

Tarde no trabalho… igual à parte manhã mas mais difícil de passar porque a paciência e a frescura mental já não é a mesma. As Dilbertices que aturo são tantas que vão ter que ficar para outra altura…

Nos dias em que não há chefes é normal olhar à minha volta pelas 15h30 e já não ver quase ninguém; quando há chefes é normal que se saia do escritório com uma pontualidade idêntica aos turnos de uma fábrica. “Ai, ai, ai tenho tanto trabalho e tal” mas às 17h01 já não está ninguém. E para dizer a verdade até gosto disto; em Portugal temos tendência a dar demasiado tempo das nossas vidas às empresas e isso é visto como normal. É bom conseguir ter um certo balanço (eh! eh!) equilíbrio entre a vida profissional e a privada.

Acabada a tortura da tarde, fui ao ginásio com uma amiga. Na “megacorp” dão-nos acesso gratuito a vários ginásios da cidade o que também é muito bom. O inconveniente? É que ao chegar ao ginásio encontrei pelo menos 10 pessoas que tinha visto durante o dia na empresa! Também havia muitas outras loirinhas, que são claramente o melhor que há neste país, por isso nem foi mau!

Apesar de o ginásio estar cheíssimo, a zona dos duches estava literalmente vazia. Alguns amigos  explicaram-me que os polacos geralmente não gostam de tomar banho nos ginásios por ser “pouco higiénico”. Depois a malta queixa-se que os transportes públicos muitas vezes cheiram como cheiram…

Após o ginásio, tive que “correr” (ok, estava de carro) até ao centro comercial (Galeria Krakowska) porque estava a ver que não conseguia lá chegar a horas. É que aqui os centros comerciais fecham às 22h00 e se chegasse às 21h59 já não me atendiam! Fui à 5 à Sec buscar o meu “fato da sorte” porque espero precisar dele em breve e voltei para casa (mais 2km). Reparei que na Galeria Krakowska estão a abrir um Burger King e apesar de não contar lá comer muitas vezes fico contente por saber que há cada vez mais sinais de civilização por estes lados. É o primeiro Burger King no centro da cidade…

Cheguei a casa ainda a horas de ver a segunda parte do Barcelona-Inter de hoje na SportTV. Parece que o Mourinho está a deixar de ser Especial…

Ter TV portuguesa é realmente outra das coisas que me ajuda a tentar manter alguma sanidade mental. Sempre vou ouvindo falar português e mantenho-me a par do que se passa aí na nossa terrinha. Se podia viver sem ZON? Podia, mas não era a mesma coisa!

E é assim. Amanhã é outro dia, que não há-de ser muito diferente deste. E é por isto, meus amigos, que ultimamente tenho escrito tão pouco…

Share on Twitter
3 comments

Lisboa, trinta graus…

… e na outra ponta da Europa estamos assim:

   

   

   

O que vale é que dentro de casa está uma temperatura bem agradável e quase posso fingir que é Verão!…

Share on Twitter
2 comments