Site do Tiago

em Cracóvia, na Polónia e no resto do Mundo

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Caro vizinho…

Posted by Tiagowski on 25th June 2009

Caro vizinho/a,

Podíamos ser amigos, mas não estás a fazer com que seja fácil gostar de ti!

Talvez seja uma questão cultural e o problema até esteja em mim, mas não acho muito normal que todos os dias às 7 da manhã (quando não é antes) comeces a fazer buracos (ou lá o que quer que seja) nas paredes de casa. É que isso faz muito barulho e não é das minhas formas preferidas de acordar! Embora durante a semana os teus barulhos me deixem rabugento, na verdade não me incomodam tanto quanto isso porque também tenho que me levantar cedo para ir trabalhar.  Mas… e aos fins-de-semana? Há mesmo necessidade de fazer todo o prédio tremer com tanto barulho ainda antes das 9 da manhã? O mais curioso é que durante a tarde faz-se silêncio… não podias trocar? Deixavas-me dormir de manhã e fazias as coisas barulhentas de tarde… Espero que consigamos ultrapassar isto e que as obras mais feias não se arrastem durante muito tempo!

Mas, caro vizinho, sabes de que é que gosto ainda menos? É daquelas alturas em que enches os elevadores com tralhas (madeiras para o chão, tintas, azulejos, sanitas, etc) e os deixas bloqueados durante longos períodos de tempo. Temos dois elevadores, um é grande e lento e serve claramente para as tuas coisas; o outro, mais pequeno e rápido, serve para transportar pessoas. Precisas mesmo de usar os dois ao mesmo tempo? É que é desagradável, depois de ter sido acordado com a tua barulheira, chamar o elevador e ele não aparecer por tu estares no rés-do-chão a bloqueá-lo. Não te esqueças que vivemos no sétimo andar…

Agora que falei dos elevadores surgiram-me algumas questões que, caro vizinho, não dizem respeito apenas a ti. Porque é que ninguém neste prédio se cumprimenta quando se encontram no elevador? Se não for eu a soltar um tímido "Dzien dobry", não há quem diga uma palavra! Entram e vão o tempo todo a olhar para o chão ou para as luzes no tecto. E depois acham muito estranho eu dizer aos jornais portugueses que por vezes os polacos são "frios, distantes e austeros". Enfim!

Continuando a falar sobre os elevadores… sabes quando é que vão tirar aquelas esferovites horríveis das paredes? É que já lá estão há meses, não cheiram propriamente bem e são um péssimo cartão de visita para quem visite o prédio. Ainda por cima alguém achou que aquilo era um bom sítio para escrever idiotices com as chaves de casa e agora as ditas paredes estão cheias de nomes polacos e também da sigla SLB (que ninguém sabe ao certo o que significa). Muito mau…

Para acabar… o que achas dos nossos seguranças? Viver num condomínio fechado tem as suas vantagens. Ao contrário do que me acontecia anteriormente, agora já não preciso de verificar todas as manhãs se alguém partiu um espelho ao carro, se lhe fizeram um risco ou se lhe arrancaram alguma peça durante a noite. Sim, na rua onde vivia anteriormente isso acontecia frequentemente. Não sei se eram os vizinhos ou se eram alguns dos visitantes dos bares e discotecas que existiam nas redondezas, a verdade é que acontecia. Aqui isso acabou. Os seguranças fecham a porta e pronto, ninguém entra sem que eles controlem. Teoricamente parece-me bem mas às vezes, durante a noite, é… digamos… muito parvo! Porquê? Então, como ninguém a não ser os seguranças tem chaves ou um comando para abrir os portões, nos dias em que alguém chegue a casa às 4h ou 5h da manhã tem de tocar à campainha para que lhe abram a porta. E eles estão quase sempre a dormir! É chato! Uma vez, alguém até teve que saltar o portão porque ficou uns 10 minutos "preso" na rua sem que lhe abrissem a porta! Aquele de nós que melhor falar polaco podia abordar esta questão no dia em que haja uma reunião de condóminos. Que dizes?

Por agora é tudo, caro/a vizinho/a. Desejo-te boa sorte com as obras e que estejam rapidamente acabadas!

Cumprimentos (caso sejas um KM) ou Beijinhos (caso sejas uma loirinha!),

o teu vizinho Tiago

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As fotos do apartamento

Posted by Tiagowski on 5th June 2009

Já as tinha “facebookado” há mais de um mês e acabei por negligenciar o sitedotiago. Desculpem o atraso, mas finalmente aqui estão:

casa de banho - banheira xpto do lado esquerdoatrás dessas coisas de vidro fica o "quarto"casa de banhotoda a casa!cozinhaainda faltava a bimby!fogão e frigorífico

Estas são as fotos que a “empresa do australiano” tirou para meter no seu portfolio. Foram tiradas quando ainda não havia qualquer mobília, pelo que não vale fazer comentários do tipo “parece que não mora aí ninguém”. Também não vale dizer “ah, é giro, mas onde está o resto?” porque o resto não existe! É um estúdio pequenino!

Quando a Pani Beata cá vier fazer a limpeza, prometo que tiro mais fotos para ficarem com uma ideia mais concreta do resultado final. Apesar de ser pequeno, é muito confortável e há espaço para tudo!

A obra ficou tal e qual a tinha idealizado, pelo que só posso dizer bem da empresa do australiano. Perfeito mesmo, só se fosse em Lisboa e se em vez do jardim com um lago e área para fazer barbecues que os construtores meteram lá fora tivessem construído uma piscina!

Graças a este projecto aprendi imensas coisas e no dia em que comprar uma coisa mais definitiva em Lisboa irei ter ideias muito mais concretas sobre o que quero e sobretudo sobre o que não quero fazer.

PS – O melhor de tudo foi mesmo a parte de não ter sido eu a comprar e transportar a sanita, o chão e tudo o resto por mim mesmo. Se tivesse optado por essa solução, ainda a esta hora devia andar com tijolos às costas… :P

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Foi assim que aconteceu – última parte

Posted by Tiagowski on 11th May 2009

Xiii… já passou tanto tempo e ainda não acabei de vos contar a história da casa… começando pelo fim, tenho a dizer que foi um sucesso e a casa ficou exactamente como a tinha idealizado! E como? tralhas!

Como em muitas outras ocasiões, o Google foi meu amigo e encaminhou-me até um fórum na internet onde vários ingleses discutiam quais as melhores empresas para fazerem acabamentos em apartamentos em Cracóvia. Gostei dos comentários que li e resolvi contactar a “empresa do Australiano”…

Na mesma manhã em que usei os meus fabulosos dotes de polaco para falar com o homem da companhia eléctrica que veio instalar o contador e com o homem que veio instalar a fechadura definitiva na porta, encontrei-me também com o Tom (aka “o Australiano”).

O Tom é o dono e fundador da “empresa do Australiano”, não fala polaco, e tem uma história curiosa.  Veio para a Europa trabalhar em Londres mas diz que depressa se fartou de passar os dias fechado no escritório e do clima cinzento característico de Inglaterra (se o clima fosse a verdadeira razão, não fez um grande upgrade). Por terras de Sua Majestade, apaixonou-se por uma polaquinha (lá está, assim já faz mais sentido) e acabou por se mudar para Cracóvia onde começou por dar aulas de inglês.

a casa de banho Como a dar aulas não se fica rico e como ele parece ter um enorme espírito empreendedor, começou a procurar oportunidades de negócio. Viu que havia muitos ingleses e irlandeses a comprar casas na Polónia e que para eles contactar empreiteiros manhosos à distância era uma tarefa quase impossível de realizar. Como já tinha experiência com o apartamento dele e com os de alguns amigos, resolveu criar a “empresa do australiano” que se especializou precisamente em acabar apartamentos na Polónia.

Em menos de uma hora foi possível explicar-lhe qual o propósito do apartamento, dizer-lhe genericamente o que pretendia, ouvir as sugestões dele e chegar a um acordo sobre praticamente todos os materiais a usar e qual o plano de acção para que o apartamento ficasse ao meu gosto. Se com a maioria dos polacos com que falei TUDO parecia ser um problema, com o Tom quase não tive que explicar nada porque ele entendeu perfeitamente desde o início que eu queria. Falávamos a mesma língua!

No dia seguinte apresentou-me um orçamento detalhado com os custos dos materiais e da mão-de-obra, bem como uma estimativa do tempo que as obras deveriam demorar. Comparando com os “bem, o preço não consigo estimar ao certo, temos que ver durante o decorrer das obras” que a maioria dos “empreiteiros” que contactara anteriormente me respondera, esta forma de trabalhar foi uma verdadeira lufada de ar fresco.

Rapidamente chegámos a um acordo e assinámos um contrato. Como é maravilhoso o capitalismo! mais tralhas que eu NÃO transportei :) Graças a ele já não tive que andar a transportar sacos de cimento, sanitas ou tintas nos meus tempos livres! Não, assim apenas me limitei a acompanhar as obras à distância e a decidir sobre as coisas realmente relevantes. De vez em quando a “empresa do Australiano” lá me fazia alguma proposta de coisas que achavam que poderiam ser melhoradas e eu limitava-me a aprovar ou rejeitar. O Tom informava-me diariamente sobre os progressos da obra e eu só a visitava aos fins-de-semana por mera curiosidade, para ver como iam as coisas.

Claro que a minha decisão foi encarada com alguma desconfiança por parte de alguns amigos polacos e ainda hoje acham uma palermice eu ter pago a alguém para fazer essas coisas todos uma vez que saía bem mais em conta ser eu a fazer tudo(!). Adiante…

Supostamente as obras deveriam estar prontas em 4 semanas, mas arrastaram-se por umas 7. O que até nem é mau, tendo em conta tudo o que fizeram. Destruíram e reconstruíram paredes, meteram o chão, pintaram tudo, instalaram a cozinha, a casa de banho e todos os electrodomésticos, trataram de tudo o que tivesse que ver com a electricidade e iluminação e embutiram na parede um roupeiro enorme que dá bastante arrumação ao estúdio. Ufa! Que trabalheira! Só de imaginar que era esperado que fosse eu a preocupar-me com cada uma dessas coisas fico com vontade de rir. Ou de chorar, não sei bem. O que sei é que teria sido impossível!

Por isso, obrigado “empresa do Australiano”. São os maiores!

Nos próximos posts: a mudança de casa e fotos da obra acabada

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Foi assim que aconteceu – Parte III

Posted by Tiagowski on 17th March 2009

Onde é que ia? Ah, já sei… tinha decidido fazer todas as obras de acordo com a polish way - iria eu mesmo escolher todos os materiais para a casa e contratar individualmente pessoas que fizessem as obras…

Uma casa cheia de nada...Ao fim de algumas semanas já tinha uma shortlist mais ou menos definida dos materiais que queria usar mas estava a ter imensos  problemas com o recrutamento dos “especialistas”. A maioria deles “não conseguia” estimar o preço antes de executar a obra e eram poucos os que tinham um portfolio com obras anteriores que pudessem ou quisessem mostrar. Basicamente eram muito manhosos e desta vez não havia a desculpa de ser por estarem a lidar com estrangeiros pois foram os meus amigos polacos que fizeram os contactos todos. Segundo pude apurar, é muito comum estes profissionais proporem fazer as obras por determinado valor e depois, quando já não há forma de voltar atrás, começarem a pedir mais e mais dinheiro para as acabarem. Se fazem isso aos polacos, só posso imaginar como iria ser comigo. Mal podia esperar!

Enquanto o processo de recrutamento de especialistas decorria, os meus amigos que me estavam a acompanhar neste processo sugeriram-me que começasse a comprar os materiais. Ah, pois é… era suposto eu ir a cada uma das lojas onde tinha visto coisas de que gostava e dizer “olhe, quero 50 azulejos daqueles, dois sacos de cimento e uma sanita daquelas. Sim, sim, é para levar tudo ali no carro que tem muito espaço…” porque a maioria dos ditos especialistas não fazia essa parte. Aliás, muitas das lojas nem sequer tinham um serviço de entregas porque por estas bandas assume-se que, por defeito, quem está a comprar uma casa tem forma de transportar as tralhas todas. TEM de ter. 

Do “eu não me quero envolver muito com as obras” inicial até ao “fonix, parece que vou ter que andar a transportar sacos de cimento às costas” foi um passo muito pequeno. E eu não estava a gostar.

Talvez por isso tenha adiado ao máximo o dia em que tinha que ir à loja e carregar o carro com centenas de kg de materiais de construção. Para a maior parte dos polacos isto seria algo perfeitamente normal, mas para mim era das últimas coisas que queria estar a fazer nos tempos livres. “Ah, quando compraste um apartamento sabias que ias ter muito trabalho” – diziam-me eles. O choque cultural estava-se a tornar evidente. Eu não queria andar a fazer de senhor das obras e isso era interpretado simplesmente como lazyness da minha parte.

Voltando ao processo de recrutamento – continuava a ser um falhanço total: “Este é vigarista, o meu pai fazia melhor… aquele trabalha mal, o meu pai fazia melhor… aquele não inspira confiança… o meu pai faz melhor…. Tiago… queres que o meu pai faça as obras?!”.

Ainda hesitei. O facto de me estarem a oferecer os “serviços” do pai significa que me estavam a tratar como sendo da família. Sim, porque na Polónia, em vez de se contratarem os famosos especialistas, o que mais frequentemente acontece é que há sempre alguém que tem um pai, um tio, um irmão ou um amigo de um amigo com jeito para as obras e faz tudo muito mais em conta.

Mas caramba… estava a passar do “eu não me quero envolver com as obras” para um “eu vou comprar os materiais todos, fazemos isto em família e eu poupo algum dinheiro mas fico-te a dever um favor enorme para o resto da vida mesmo que no fim acabe tudo mal feito”. Por isso disse que não podia aceitar. Mais uma vez tivemos um pequeno choque cultural e a minha recusa em aceitar a ajuda foi encarada como uma enorme ofensa. Durante alguns dias ainda ficaram chateados comigo, mas os verdadeiros amigos não conseguem ficar muito tempo chateados e por isso não demorou muito até que a nossa relação voltasse ao normal.

Mas e o apartamento? E o plano? Pois… tinha tudo voltado à estaca zero… agora não tinha designers, nem especialistas, nem tradutores… As coisas não pareciam nada bem encaminhadas até ao momento em que contactei a “empresa do Australiano”… 

Empresa do Australiano? Na Polónia? Sim, mas para saberem os detalhes não podem perder o próximo episódio de “Como o Tiago comprou um apartamento na Polónia”. Brevemente, no sítio do costume…

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Foi assim que aconteceu – Parte II

Posted by Tiagowski on 11th March 2009

Depois de meses a tratar do financiamento e de inúmeras burocracias referentes ao apartamento (em que me chegaram a pedir documentos que nem sequer existem), no final de 2008 recebi finalmente as tão desejadas chaves.

Em Setembro, ainda em modo estaleiro...Em Portugal isto significaria, pelo menos na maior parte dos casos, que poderia começar a comprar mobília e a pensar em mudar-me rapidamente para a nova casa. E na Polónia? Bem, na Polónia isto significa apenas que acabara de receber acesso a uma casa com chão de cimento, paredes de cimento e com os espaços da casa de banho e da cozinha totalmente vazios; estava praticamente tudo por fazer! Aliás, “por razões de segurança”, a porta nem tinha ainda instalada a fechadura definitiva.

Na prática isto queria dizer que esta aventura tinha apenas acabado de começar. Agora era necessário escolher todos os materiais para casa até ao mais ínfimo detalhe e arranjar pessoal que fizesse as obras. Parece fácil? Pois… não é!

Numa primeira fase tudo parecia claro na minha mente. O plano era mais ou menos assim: “oh, como isto é a Polónia, a mão-de-obra não é muito cara e por isso posso contratar um designer de interiores que faça um projecto bonito e que me ajude a escolher todos os pequenos detalhes com os quais não me quero preocupar. Depois, tendo o projecto, basta arranjar quem o execute sem que me tenha que chatear MUITO com as obras”. Como estava a ser ingénuo!…

Os primeiros designers que contactei fizeram-me propostas de preços absolutamente absurdas (estou convencido que era o “preço para estrangeiros”), embora incluíssem no serviço o acompanhamento da execução das obras. Infelizmente fiquei quase sempre com a ideia de que as pessoas com quem falei não eram muito honestas e queriam simplesmente facturar o máximo possível, pelo que não me decidi por nenhum.

Como não estava satisfeito com a minha primeira abordagem ao mercado, decidi interrogar amigos polacos já bastante experientes nestas andanças sobre qual a melhor forma de executar as obras. “Oh, não precisas de um designer para nada! O que precisas é de encontrar especialistas para cada função! Contratas um para instalar a casa de banho, outro para o chão, outro para pintar as paredes, um electricista e outro para a cozinha e pronto! Sai muito mais barato! Nós ajudamos-te…” – disseram-me eles. Por esta altura já estava a ver a minha vida a andar para trás. Desde o início que encarei este apartamento mais como um investimento (by the away: “excelente” timming, Tiago! Sim senhor!) do que propriamente como algo em que quisesse perder muito tempo ou com que quisesse ter um alto grau de envolvimento emocional. Mas em Roma, sê Romano e apesar de não estar inteiramente convencido, este passou a ser oficialmente o meu novo plano.

Nas semanas que se seguiram visitei inúmeras lojas à procura dos materiais ideais para a casa. Vi 1000 tipos de chão, 1000 modelos de sanita, de torneiras e de lavatórios, 1000 cozinhas e pesquisei centenas de possíveis cores para as paredes. Afinal, segundo o método polaco, eu iria ter que decidir tudo até ao mais ínfimo dos detalhes! Para terem uma ideia, teria de chegar ao pormenor de dizer ao senhor que instala as coisas na casa de banho onde é que EU queria que ele partisse os azulejos de forma a ficar tudo encaixado de forma elegante. Ao que me explicaram dizer “ò homem, faça como achar que fica melhor!” não é nada boa ideia porque eles não gostam de pensar e normalmente optariam por fazer da forma mais fácil.

Fazer as coisas de acordo com a polish way era o meu novo plano e achava que me ia manter fiel a ele… mas será que foi isso aconteceu?

Não percam o próximo post, porque nós também não!!! :-)

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Foi assim que aconteceu – Parte I

Posted by Tiagowski on 22nd February 2009

O ano era 2008. Naquela altura as economias mundiais atravessavam um momento extremamente conturbado e olhar para a evolução dos índices bolsistas ou dos mercados cambiais deixava-me quase sempre de mau humor.

Tal como os mercados financeiros, também a minha vida passava por uma fase estranha. Ao final de mais de dois anos em que fora bastante feliz vivendo em Cracóvia, começavam-me a surgir muitas dúvidas e questionava-me cada vez mais frequentemente sobre qual o motivo de ainda lá estar. Andava cansado do meu emprego e sentia cada vez mais que a hora de deixar tudo para trás se aproximava rapidamente.

Nos últimos meses dera-me conta de que mais do que os sítios, o importante são as pessoas, as experiências vividas e as memórias que estas deixam em nós. A minha Cracóvia poderia facilmente ter sido em qualquer outra parte do mundo. Mas calhou ser ali, a mais de 3.000 km daquela que será sempre a minha verdadeira casa.

Embora fossem cada vez mais as razões para abandonar Cracóvia, a verdade é que estranhamente não conseguia deixar de gostar daquela cidade nem daquele país – as memórias de tudo o que por lá vivera desde 2003 não permitiam que tal acontecesse.

Criara laços afectivos demasiado fortes e não os queria cortar de uma forma brusca. O ideal seria encontrar algo que me ligasse de uma forma mais sólida àquele sítio, mesmo que entretanto deixasse de lá viver.

Então o que fiz?

Bem… não sei como contar isto sem que pareça uma decisão muito estranha, mas na verdade ponderei muito sobre o assunto antes de tomar qualquer decisão. Considerei os prós e os contras, fiz análises SWOT vezes sem conta e tive em atenção o facto de ser uma simultaneamente uma decisão emocional e financeira. Demorou muitos meses a concretizar-se, mas por estes dias já é uma certeza: comprei um apartamento em Cracóvia!!!

É um T0 pequenino, mas é meu! Ficarei a pagar uma mensalidade exactamente igual à renda que pago na casa onde (ainda) moro, mas ao menos estou a investir em algo realmente meu! Quando mudar de ares penso que não terei muitas dificuldades em o alugar…

Ainda ficam muitos capítulos por contar sobre esta história, mas os detalhes deixo-os para mais tarde.

PS – Antes que se comecem a interrogar: não, o apartamento não significa que esteja a pensar viver em Cracóvia para sempre. Muito pelo contrário!

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O Maior!!!

Posted by Tiagowski on 16th January 2008

Em qualquer parte do mundo o Benfica é mesmo o maior! Graças ao SLB, há polacos que resolvem pintar as paredes de sua casa assim:

SLB!!  SLB!!! SLB!!!!

Glorioso!!!  SLB!!!  Glorioso, SLB!!!

OK, eu explico! O meu amigo Jacek e a namorada compraram um apartamento, mas na Polónia o conceito de comprar um apartamento é um pouco diferente de Portugal. Aqui, quando o apartamento é entregue ao comprador vem vazio. E por vazio leia-se MESMO vazio: sem chão, com as paredes todas em cimento, sem casa de banho, sem cozinha, sem nada. Vazio! Depois cada um recheia-o como achar mais conveniente.

Como o Benfica é o maior clube do mundo, foi fácil convencer o Jacek a ser um verdadeiro Benfiquista. Viu todos os jogos Europeus desta época, sabe quem são os jogadores e até sabe que quando não ganhamos é por azar ou porque fomos roubados pelo "Young Chicken of the Coast". Apesar de tudo, acho que o que o tornou definitivamente Benfiquista foi o fim-de-semana que passou em Portugal – nessa altura emprestei-lhe o meu cativo e ele foi à Catedral ver o Benfica ganhar por 6-1 ao Boavista! :-)

Em homenagem ao Glorioso, resolveu pintar as paredes de casa da forma que podem ver nas fotos! Nada mal, hein?! Infelizmente depois pintou tudo por cima e agora é mais difícil ver onde estava a obra de arte, mas segundo ele ao olhar atentamente ainda é possível ver "Benfica" na parede.

PS – Nesta época a Taça UEFA há-de ser nossa!!! Ou então a Taça de Portugal… vá pelo menos o Campeonato da Segunda Circular havemos de ganhar!

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