À primeira vista parece um edifício habitacional devoluto e os mais distraídos que por lá passem durante o dia estarão longe de imaginar que o número 15 da rua Wielopole em Cracóvia alberga alguns dos
locais mais míticos da noite Cracoviana.
Cada “apartamento” deste prédio sujo, feio, escuro e semi-abandonado no centro da cidade esconde uma discoteca diferente e todas elas têm em comum o facto de serem tão más que parecem irreais – entrar aqui é como viajar no tempo e no espaço para um qualquer local de entretenimento do “outro lado” da Cortina de Ferro. E isso, por estranho que pareça é uma das coisas que torna este local tão único e especial.
Quando a noite cai esta é invariavelmente a última paragem para centenas de noctívagos de Cracóvia. Enquanto os outros espaços da cidade fecham as portas, aqui a noite apenas está a começar e a festa dura até (literalmente) ao amanhecer.
Apesar de existirem mais clubes no prédio, aqueles que fazem parte da minha história em Cracóvia são apenas dois: o Łubu-dubu e o Kitsch.
O Łubu-dubu é uma espécie de discoteca temática dos anos 80 polacos e é normalmente aqui que a visita ao prédio se inicia.

Uma cerveja, dois dedos de conversa, uma voltinha pela pista de dança para ver como estão as coisas. Outra cerveja, mais dois dedos de conversa e outra visita à pista de dança. E o local começa a esvaziar.
Para onde vai toda a gente? Para casa? Não! Aparentemente todas as festas da cidade convergem para para o último andar, onde se encontra o famoso Kitsch.
Kitsch é realmente um nome apropriado ao que se encontra lá em cima. O chão é pegajoso, as casas de banho são inacreditavelmente sujas e molhadas, a decoração é horrível, o espaço é quente e mal ventilado mas… o conjunto é priceless!
Apesar do cenário surreal a diversão está garantida a cada visita. Dizem as más-línguas que é “O” spot para os engates de final de noite, mas isso não vou comentar – deixo ao critério dos visitantes. A verdade é que até ao amanhecer a pista está sempre cheia de jovens estudantes locais e também de muitos estrangeiros… ah, e obviamente o álcool é coisa que nunca falta ou não estivessemos nós na Polónia!
Talvez o segredo do sucesso destes sítios seja o facto de serem 100% genuínos, despretensiosos e conservarem a sua alma original, indiferentes ao mundo que os rodeia. Quando me recordar do tempo que vivi na Polónia haverá sempre um capítulo especial dedicado a estes espaços noturnos porque, como diria o senhor obeso da televisão, eu também já fui muito feliz no Wielopole 15. 