Eu… no Diário de Notícias!
Posted by Tiagowski on June 8th, 2009
Ficou giro, a família gostou e eu também!
No entanto, tal como o Geraldes apontou, acho que a parte em que se fala de economia está um pouco confusa, embora isso não seja algo que me chateie muito.
Obrigado à Fernanda Câncio por se ter lembrado de mim e ao fotógrafo semi-profissional pela preciosa ajuda!
PS – Não sei é quem é o “blogger Tiagowsky”! É que em polaco, isso lê-se de modo totalmente diferente.
Texto completo:
por FERNANDA CÂNCIO – 06 Junho 2009 Quatro portugueses na Europa: Cracóvia, Amesterdão, Londres, Tallin. Um continente, uma cultura, uma ideia, uma utopia – Europa como futuro, mundo, família e religião. "Comecei as aulas de polaco. A partir de agora as minhas segundas e quartas-feiras iniciar-se-ão com uma bela aulinha (logo às oito da manhã, antes de começar a trabalhar). Iupi! Caramba, se tantos milhões de criancinhas polacas a conseguem falar também vou conseguir! Mais tarde ou mais cedo…" A promessa é de 2006, assinada pelo blogger Tiagowsky, aliás Tiago Ferreira, que entre as aventuras polacas (que incluem a compra de um apartamento a precisar de obras) comenta bola. Aos 29 anos, este lisboeta com uma licenciatura em Administração e Gestão de Empresas passou os últimos três em Cracóvia, como analista financeiro de uma multinacional americana. Tinha conhecido o país em 2003, quando esteve um semestre como estudante Erasmus em Poznan. "Não acordei um dia a pensar ‘vou emigrar para a Polónia!’. Tinha desde há muito tempo a ambição de ter uma carreira internacional que me permitisse estar em contacto com pessoas com backgrounds culturais diferentes do meu e a oportunidade de emprego na Polónia foi apenas a materialização dessa ideia. O facto de a experiência enquanto estudante ter sido bastante positiva foi um factor de peso que me levou a responder ao anúncio que vi publicado no jornal e penso que também terá sido benéfica em todo o processo de recrutamento." Com nota negativa para os terríveis invernos ("Podem passar-se meses sem que vejamos a luz do Sol"), para a burocracia ("Heranças deixadas de outros tempos, que infelizmente são aceites com naturalidade pela maioria dos polacos") e para as estradas ("A rede viária ainda tem muitas limitações e são muito poucas as auto-estradas existentes"), Tiago elogia a cidade, que diz encantadora e cosmopolita, e as pessoas: "À primeira vista pode parecer um povo frio, distante e austero; no entanto assim que nos deixam pertencer ao seu círculo de confiança são do mais hospitaleiro que há." Nota, desde a adesão à UE, além de uma subida acelerada dos preços, acompanhada de uma desvalorização da moeda local face ao euro (o que se reflecte no seu ordena-do), "uma melhoria enorme no nível de vida médio que a classe média apresenta e têm hoje um poder económico bastante superior". Um poder económico visível no parque automóvel e nas dezenas de centros comerciais que sur- giram, "em tudo idênticos ao que se encontra no resto da Europa". Mas, sublinha, "não quero dizer que os polacos são ricos. Continua a ser um país pobre." Relacionando-se com os portugueses que estão em Cracóvia – "umas dezenas" -, Tiago dá-se com gente de toda a Europa. E sente, diz, "um enorme orgulho em ser europeu". Ser cidadão europeu, diz, "não é apenas um conceito teórico, é algo que hoje em dia existe na prática e que é vivido por milhões de pessoas. Quando olho para o mapa da Europa, sinto que é infinitamente mais pequeno do que o imaginava quando criança. Imagino que me conseguiria sentir "em casa" em muito pontos da Europa. Tenho amigos em quase todos os países europeus e isso contribui definitivamente para que me sinta um verdadeiro cidadão da Europa." Apesar disso, no entanto, não vota amanhã. Porque a embaixada portuguesa é a mais de 300 quilómetros de Cracóvia (onde não existe consulado) e porque sente "pouco interesse". Mas deixa uma sugestão: "Se fosse possível votar electronicamente através da Internet a minha posição seria certamente outra e mais facilmente exerceria o meu direito e dever de voto". Com menos desculpa – e assumindo: "Vergonha, eu sei" – , outra entusiasta da ideia de Europa ("como um todo e não apenas como um conjunto de países"), a cientista Ana Luísa Castro e Silva, confessa que, apesar de viver a 50 quilómetros de Amesterdão, se esqueceu de se registar a tempo de votar. Tem a mesma idade que Tiago e está, desde Outubro de 2008, a fazer um doutoramento (é licenciada em Engenharia Biológica pelo Instituto Superior Técnico e tem um mestrado em Biotecnologia) na Universidade de Leiden, envolvendo "o de-senvolvimento de vacinas para imunoterapia de cancro". Ana Luísa, que nasceu na Califórnia (onde voltou para estagiar durante oito meses em 2007) mas cresceu e estudou em Portugal, já tinha estado na Holanda quando adolescente através de um programa de intercâmbio e voltou, já universitária, para passar uns dias em Amesterdão. E gostou. "Lembro-me de pensar que era capaz de cá viver." Quando decidiu fazer doutoramento e mandou currículos para vários programas, foi seleccionada para dois (Leiden e o programa Portugal-MIT). Pesou na escolha o tipo de projecto e o facto de que na Holanda "os doutorandos são considerados empregados da universidade e têm todos os direitos de um trabalhador a tempo inteiro, ao contrário do que acontece aí, onde se tem estatuto de bolseiro". Como Tiago, queixa-se do tempo: "péssimo". E acrescenta a comida: "Para os holandeses, a alimentação serve para matar a fome, ponto. Daí que comam sandes todos os dias para encher – de pão de forma, que barram com pastas variadas, maionese, manteiga e pepitas de chocolate, daquelas que servem para decorar bolos, de manhã e ao almoço, só comendo uma refeição quente por dia, ao jantar. Pode dizer-se que a alimentação de um holandês pode ser descrita em termos de fatias de pão diárias. Não existe cultura gastronómica." Desmente a fama liberal dos holandeses – "são extremamente austeros e rígidos nos princípios, raramente transgredindo regras ou desviando-se do planeado, o que choca de frente com a nossa cultura tipicamente latina, muito mais descontraída e menos respeitadora de regras. Ao contrário do que se possa pensar, as suas leis, muitíssimo liberais comparativamente às portuguesas, relativamente às drogas leves, por exemplo, não reflectem em nada a forma de estar dos holandeses, cuja maioria nunca entrou numa coffee shop" -, que classifica sobretudo como pragmáticos, e anota o facto de só irem ao hospital "em último caso" e resistirem a receitar medicamentos ("Paracetamol serve para tudo"). A maioria dos partos ocorre em casa, "por sair mais barato", e epidural é um luxo raramente concedido. A ganhar 1450 euros mensais (2000 brutos), pela primeira vez com independência financeira, teve no entanto de desistir do carro (a que se tinha habituado em Portugal desde os 19 anos) e anda sempre de bicicleta, faça sol (muito pouco), chuva ou neve. "Carro na Holanda é um luxo e por isso, desde impostos a seguro, ou estacionamento dentro das cidades, é muito mais caro, não acessível a qualquer um." Contando ficar quatro anos, tem aproveitado para viajar na zona. "É uma Europa mais evoluída [que Portugal] em vários aspectos, especialmente a nível económico e social. Os direitos dos trabalhadores são mais respeitados, havendo mais benefícios para quem tem filhos, desde maiores licenças de maternidade a redução de horários. Existe menos pobreza e quase não se sente insegurança ou criminalidade. O Estado tem um papel importante nas questões sociais, e contribui com ajudas e subsídios a quem precisa. É também mais evoluída a nível ideológico, como na questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que é permitido, havendo muito menos discriminação." Gonçalo Diniz, 37 anos, podia apontar esse motivo (menos discriminação) para viver em Londres desde 1999: foi presidente da ILGA–Portugal, uma das organizações que lutam pelos direitos das pessoas LGBT, e há um ano celebrou a sua união civil com o homem com quem vive desde 2006. Aliás, foi viver para o Reino Unido (país de que é já nacional, desde 2008 – "Fi-lo não por necessidade, mas porque queria participar plenamente na vida do país que me adoptou e me tem dado muito") por paixão: "Vivi cinco anos com um inglês." Educado num pais anglo-saxónico (a África do Sul), atribui também a isso a facilidade de adaptação. Desenhador gráfico de profissão, diz não ter razões de queixa em termos de trabalho. "Cheguei cá e ao fim de dois meses tinha um emprego bastante bem pago. Fui despedido em 2001, quando foi o crash da Internet. Aí estabeleci-me por conta própria e tem corrido muito bem até agora – estamos a apanhar a ressaca da crise. Com um apartamento seu comprado há quatro anos, Gonçalo desloca-se sobretudo de bicicleta e tem uma moto para as deslocações para fora da cidade. "Demoro 15 minutos de bicicleta para chegar ao trabalho. Recuso ter carro: acho muito caro e pouco ecológico." Diz viver "muito confortavelmente", sentir-se "muito sortudo". E voltou a estudar. Está no segundo ano do curso de Ciências Sociais e Políticas, na Universidade Aberta. "Acho que não vou aproveitar isto profissionalmente, mas queria fazê-lo". Nas eleições europeias, vota em Londres – nos candidatos britânicos. E admite ter passado a ver a Europa com olhos de inglês: "Quando era mais novo tinha se calhar de uma forma ingénua a ideia de que a Europa iria transformar-se num estado federativo, caminhar para uma união política, mas desde que vivo cá adoptei um bocado a perspectiva eurocéptica deles, faz sentido manter a individualidade relativa dos países." Se foi a paixão por um homem a levar Gonçalo, a João Lopes Marques levou-o uma cidade. "Cheguei a Tallin e gostei imediatamente. Uma rara empatia entre nós. Adoro cidades medievais." Estava em Estocolmo, em 2003, viu um anúncio de viagem em ferryboat e meteu-se nele. Passou uma semana de férias na Estónia. Voltou em 2006 para visitar uma amiga, viu uma casa do século XIV "a um preço irrisório" e arrendou-a "nessa mesma noite". Era, diz, para ficar um ano, ficou três – até agora. Jornalista, blogger, guionista e escritor (dois livros publicados, Terra Java e o O Homem Que Queria Ser Lindberg), tem desde Abril de 2007 "uma coluna de opinião/crónica quinzenal no Eesti Ekspress, o maior jornal do país" e continua a trabalhar para meios portugueses, tendo criado a Blablabla Media, produtora de formatos audiovisuais e Internet. Trabalha com um realizador português radicado em Madrid e estão a "ultimar um documentário e uma ambiciosa webnovela, cujo guião estou a escrever e mete necessariamente Tallin". Vem todos os meses a Portugal "três ou quatro dias", mas o encantamento com a Estónia ainda não esmoreceu. "Tenho semanas a fio em que não me enfio num transporte que seja, é tudo a pé. O tempo é mais lento e rende bastante mais. Tem sido maravilhoso tornar-me, ano após ano, num pagão báltico com alguns laivos provincianos." Fala de "uma Europa nova", de "outros mapas mentais, que nada têm a ver com o passado português", da "escala humana, da ligação à natureza e de alguma genuinidade das pessoas". E da Internet sem fios e gratuita em quase todo o lado: "Faz de Tallin para mim um enorme sofá gigante com acesso gratuito ao mundo. Há uma centralidade que também é interessante: o triângulo Riga-Helsínquia-Sampetersburgo passa por aqui, em poucas horas estamos numa destas cidades, a que juntaria uma noite de barco até Estocolmo. Vamos a pé até ao porto… Enfim, quem por aqui passou sabe que também há um lado hedonista em Tallin a que alguns podem inclusive juntar uma pitada de lascívia." Apesar de admitir que "o país tem muitas limitações. Quem por aqui se deixa amortecer perde muito mundo… Um perigo", sente-se "um privilegiado por ter podido, com toda a naturalidade, escolher Tallin em vez de Valpaços ou Caparica". Vê a Europa como "uma utopia em evolução, um organismo vivo que se aperfeiçoa e adapta". E, mesmo se não vai votar amanhã "porque os voos para Lisboa estão caríssimos, porque me atrasei na entrega dos papéis para votar aqui e porque dia 7 vou estar em Istambul", sente a Europa "como única religião". "Em tudo o resto sou agnóstico, numas coisas mais do que noutras, já se sabe. É uma religião complicada e com alguns dogmas, mas não me coíbe de andar no escuro. Ou não será isso a fé? Adoro ver os europeus unidos e, com isso, a emprestarem mais coesão ao mundo. Há um lado civilizador na Europa que tem a sua piada se não for paternalista ou neocolonial. Mesmo que nem queiramos é assim que muitas outras culturas nos vêem. Ser europeísta tem muitas fragilidades, é aceitar caminhos por vezes menos fáceis, mas a opção é inexistente."Nós por lá
"Escolher Tallin em vez de Valpaços ou Caparica"
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June 8th, 2009 at 13:15
olá, tiagowski. oops, coloquei um y em vez de um i. desculpe. obrigada pela sua disponibilidade. a foto ficou muito gira. bj
June 8th, 2009 at 14:16
oh, Fernanda, o “y” está perdoadíssimo!
Espero que de vez em quando continues a visitar aqui o cantinho!
PS – Gonçalo, vês? Há futuro no mundo da fotografia!
June 8th, 2009 at 19:42
Ó vizinho… que bem. .. epá onde andam os outros portugueses em Krakow só conheço um que trabalha comigo… epá as “Cracowianas” dão trabalho:) Deviamos combinar um encontro de Portulacos em Kraków
June 8th, 2009 at 19:55
Hmm? Comigo ainda trabalham bastantes e parece que agora estamos a criar a tradição de jantaradas portuguesas cozinhadas por um verdadeiro cozinheiro português (no Le Scandale de Kazimierz).
Consta que o próximo jantar será um belo de um arroz de marisco, quando souber detalhes aviso!
June 8th, 2009 at 22:05
Bem, definitivamente valeu o esforço! E quem se riu de nós na praça, a tirar fotos, agora nem deve ter palavras…
June 8th, 2009 at 22:24
Eh! Eh!
June 9th, 2009 at 20:50
Cześć Tiagowski, esta e a minha primeira intrusão ao site do Tiago e gostaria te apresentar a minhas felicitações, gostei muito.
O Ryan tem razão temos de fazer uma jantarada e com os santos aproximar-se já se comia uma sardinhada e um caldo verde. Prometo aparecer mais vezes
June 14th, 2009 at 21:40
Isso vai uma sardinhada à boa moda portuguesa. Hoje comi umas que não estavam mal no Piri Piri em Krakow. Mas fatam mais ingredientes… Caldo verde é melhor nem falarem nisso.. estou com fome outra vez…
June 19th, 2009 at 11:23
Olá…
Encontrei o teu blog no blog “Tuga em Londres” e queria pedir-te um favor.
Há algum tempo atrás criei uma loja online com produtos tipicamente portugueses. Aqui podes encontrar Ovos Moles, Ginginha, Muralhas, Licor Beirão, Queijadas de Sintra etc etc etc
Será que te posso pedir para divulgares esta loja junto dos emigrantes portugueses e/ou se possível no teu blog?
O endereço é http://www.aromasesaboresdeportugal.pt
Cumprimentos
Manuela Palma
June 19th, 2009 at 14:01
Ryan,
Sábado vamos ao Scandale de Kazimierz comer uma cataplana de marisco feita especialmente para nós pelo “nosso” cozinheiro português!
Ultimamente ele tem organizado alguns jantares com sabores bem portugueses e nós não falhamos!
Por isso, se quiseres conhecer mais uns quantos portugueses, aparece! Estamos lá a partir das 19h30, mas como somos portugueses é normal que cheguem todos atrasados!…
Maria, acho o site uma óptima ideia e fiquei cheio de saudades do Nestum, mas aqui não coloco anúncios. Fica nos comentários, mas não vou fazer um post ou colocar um link para uma loja que (ainda) não usei.
July 19th, 2009 at 01:00
Olá Tiago, tudo bem?

Vou de ERASMUS para a Cracóvia e chego dia 8 de Setembro.
Como deves imaginar não conheço nada dessa cidade que espero que seja tudo o que tu dizes
Estava a pensar que, como não conheço nada daí me pudesses dar umas indicações sobre a tua experiência, aqui fica o meu e-mail para se não te importares me contactares xxxxx@xxxxxx.com
Fico a aguardar
Abraço
August 1st, 2009 at 23:02
Nestum?? Aqui é aos pontapés… ;p
August 2nd, 2009 at 17:25
Oh, mas aí também há tugas aos pontapés! Não vale!