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O que eu não pagava para agora estar aí!

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Da minha janela

Depois da tempestade...

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Foi assim que aconteceu – última parte

Xiii… já passou tanto tempo e ainda não acabei de vos contar a história da casa… começando pelo fim, tenho a dizer que foi um sucesso e a casa ficou exactamente como a tinha idealizado! E como? tralhas!

Como em muitas outras ocasiões, o Google foi meu amigo e encaminhou-me até um fórum na internet onde vários ingleses discutiam quais as melhores empresas para fazerem acabamentos em apartamentos em Cracóvia. Gostei dos comentários que li e resolvi contactar a “empresa do Australiano”…

Na mesma manhã em que usei os meus fabulosos dotes de polaco para falar com o homem da companhia eléctrica que veio instalar o contador e com o homem que veio instalar a fechadura definitiva na porta, encontrei-me também com o Tom (aka “o Australiano”).

O Tom é o dono e fundador da “empresa do Australiano”, não fala polaco, e tem uma história curiosa.  Veio para a Europa trabalhar em Londres mas diz que depressa se fartou de passar os dias fechado no escritório e do clima cinzento característico de Inglaterra (se o clima fosse a verdadeira razão, não fez um grande upgrade). Por terras de Sua Majestade, apaixonou-se por uma polaquinha (lá está, assim já faz mais sentido) e acabou por se mudar para Cracóvia onde começou por dar aulas de inglês.

a casa de banho Como a dar aulas não se fica rico e como ele parece ter um enorme espírito empreendedor, começou a procurar oportunidades de negócio. Viu que havia muitos ingleses e irlandeses a comprar casas na Polónia e que para eles contactar empreiteiros manhosos à distância era uma tarefa quase impossível de realizar. Como já tinha experiência com o apartamento dele e com os de alguns amigos, resolveu criar a “empresa do australiano” que se especializou precisamente em acabar apartamentos na Polónia.

Em menos de uma hora foi possível explicar-lhe qual o propósito do apartamento, dizer-lhe genericamente o que pretendia, ouvir as sugestões dele e chegar a um acordo sobre praticamente todos os materiais a usar e qual o plano de acção para que o apartamento ficasse ao meu gosto. Se com a maioria dos polacos com que falei TUDO parecia ser um problema, com o Tom quase não tive que explicar nada porque ele entendeu perfeitamente desde o início que eu queria. Falávamos a mesma língua!

No dia seguinte apresentou-me um orçamento detalhado com os custos dos materiais e da mão-de-obra, bem como uma estimativa do tempo que as obras deveriam demorar. Comparando com os “bem, o preço não consigo estimar ao certo, temos que ver durante o decorrer das obras” que a maioria dos “empreiteiros” que contactara anteriormente me respondera, esta forma de trabalhar foi uma verdadeira lufada de ar fresco.

Rapidamente chegámos a um acordo e assinámos um contrato. Como é maravilhoso o capitalismo! mais tralhas que eu NÃO transportei :) Graças a ele já não tive que andar a transportar sacos de cimento, sanitas ou tintas nos meus tempos livres! Não, assim apenas me limitei a acompanhar as obras à distância e a decidir sobre as coisas realmente relevantes. De vez em quando a “empresa do Australiano” lá me fazia alguma proposta de coisas que achavam que poderiam ser melhoradas e eu limitava-me a aprovar ou rejeitar. O Tom informava-me diariamente sobre os progressos da obra e eu só a visitava aos fins-de-semana por mera curiosidade, para ver como iam as coisas.

Claro que a minha decisão foi encarada com alguma desconfiança por parte de alguns amigos polacos e ainda hoje acham uma palermice eu ter pago a alguém para fazer essas coisas todos uma vez que saía bem mais em conta ser eu a fazer tudo(!). Adiante…

Supostamente as obras deveriam estar prontas em 4 semanas, mas arrastaram-se por umas 7. O que até nem é mau, tendo em conta tudo o que fizeram. Destruíram e reconstruíram paredes, meteram o chão, pintaram tudo, instalaram a cozinha, a casa de banho e todos os electrodomésticos, trataram de tudo o que tivesse que ver com a electricidade e iluminação e embutiram na parede um roupeiro enorme que dá bastante arrumação ao estúdio. Ufa! Que trabalheira! Só de imaginar que era esperado que fosse eu a preocupar-me com cada uma dessas coisas fico com vontade de rir. Ou de chorar, não sei bem. O que sei é que teria sido impossível!

Por isso, obrigado “empresa do Australiano”. São os maiores!

Nos próximos posts: a mudança de casa e fotos da obra acabada

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