Foi assim que aconteceu – Parte III
Posted by Tiagowski on March 17th, 2009
Onde é que ia? Ah, já sei… tinha decidido fazer todas as obras de acordo com a polish way - iria eu mesmo escolher todos os materiais para a casa e contratar individualmente pessoas que fizessem as obras…
Ao fim de algumas semanas já tinha uma shortlist mais ou menos definida dos materiais que queria usar mas estava a ter imensos problemas com o recrutamento dos “especialistas”. A maioria deles “não conseguia” estimar o preço antes de executar a obra e eram poucos os que tinham um portfolio com obras anteriores que pudessem ou quisessem mostrar. Basicamente eram muito manhosos e desta vez não havia a desculpa de ser por estarem a lidar com estrangeiros pois foram os meus amigos polacos que fizeram os contactos todos. Segundo pude apurar, é muito comum estes profissionais proporem fazer as obras por determinado valor e depois, quando já não há forma de voltar atrás, começarem a pedir mais e mais dinheiro para as acabarem. Se fazem isso aos polacos, só posso imaginar como iria ser comigo. Mal podia esperar!
Enquanto o processo de recrutamento de especialistas decorria, os meus amigos que me estavam a acompanhar neste processo sugeriram-me que começasse a comprar os materiais. Ah, pois é… era suposto eu ir a cada uma das lojas onde tinha visto coisas de que gostava e dizer “olhe, quero 50 azulejos daqueles, dois sacos de cimento e uma sanita daquelas. Sim, sim, é para levar tudo ali no carro que tem muito espaço…” porque a maioria dos ditos especialistas não fazia essa parte. Aliás, muitas das lojas nem sequer tinham um serviço de entregas porque por estas bandas assume-se que, por defeito, quem está a comprar uma casa tem forma de transportar as tralhas todas. TEM de ter.
Do “eu não me quero envolver muito com as obras” inicial até ao “fonix, parece que vou ter que andar a transportar sacos de cimento às costas” foi um passo muito pequeno. E eu não estava a gostar.
Talvez por isso tenha adiado ao máximo o dia em que tinha que ir à loja e carregar o carro com centenas de kg de materiais de construção. Para a maior parte dos polacos isto seria algo perfeitamente normal, mas para mim era das últimas coisas que queria estar a fazer nos tempos livres. “Ah, quando compraste um apartamento sabias que ias ter muito trabalho” – diziam-me eles. O choque cultural estava-se a tornar evidente. Eu não queria andar a fazer de senhor das obras e isso era interpretado simplesmente como lazyness da minha parte.
Voltando ao processo de recrutamento – continuava a ser um falhanço total: “Este é vigarista, o meu pai fazia melhor… aquele trabalha mal, o meu pai fazia melhor… aquele não inspira confiança… o meu pai faz melhor…. Tiago… queres que o meu pai faça as obras?!”.
Ainda hesitei. O facto de me estarem a oferecer os “serviços” do pai significa que me estavam a tratar como sendo da família. Sim, porque na Polónia, em vez de se contratarem os famosos especialistas, o que mais frequentemente acontece é que há sempre alguém que tem um pai, um tio, um irmão ou um amigo de um amigo com jeito para as obras e faz tudo muito mais em conta.
Mas caramba… estava a passar do “eu não me quero envolver com as obras” para um “eu vou comprar os materiais todos, fazemos isto em família e eu poupo algum dinheiro mas fico-te a dever um favor enorme para o resto da vida mesmo que no fim acabe tudo mal feito”. Por isso disse que não podia aceitar. Mais uma vez tivemos um pequeno choque cultural e a minha recusa em aceitar a ajuda foi encarada como uma enorme ofensa. Durante alguns dias ainda ficaram chateados comigo, mas os verdadeiros amigos não conseguem ficar muito tempo chateados e por isso não demorou muito até que a nossa relação voltasse ao normal.
Mas e o apartamento? E o plano? Pois… tinha tudo voltado à estaca zero… agora não tinha designers, nem especialistas, nem tradutores… As coisas não pareciam nada bem encaminhadas até ao momento em que contactei a “empresa do Australiano”…
Empresa do Australiano? Na Polónia? Sim, mas para saberem os detalhes não podem perder o próximo episódio de “Como o Tiago comprou um apartamento na Polónia”. Brevemente, no sítio do costume…
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March 17th, 2009 at 22:18
Pois é Tiago… isto faz-me lembrar uma música conhecida dos Xutos que dizia mais ou menos “as saudades que eu já tinha da minha alegre casinha”… Estou há um ano pela Polónia e os choques culturais são mais que muitos. Mais vale comprar casa nova em Portugal onde se pinta e limpa apenas e depois é só mobilar. Pela Polónia essa da sanita é mesmo do pior.
March 18th, 2009 at 00:39
Ora bolas pah. Então está aí a Mota-Engil, bastantes operários portugueses, e tu vais contactar um australiano??? Dá-te por muito feliz por teres realizado as obras numa altura em que já não existe boom especulativo. Quando foi essas loucura, até meses tinhas de esperar por materiais, quanto mais pelos operários disponiveis.
March 18th, 2009 at 01:20
Sabias que a Mota construiu uns prédios em Cracóvia em que davam a opção de venderem os apartamentos totalmente acabados? Claro que a maioria dos compradores torceu o nariz a uma oferta tão estranha, porque é giro é fazer tudo com as próprias mãos durante fins-de-semana sem fim…
March 18th, 2009 at 16:26
olha la mas tu ganhas por episódio?? Matas-me com esse “suspence” todo!! Ah, o meu filhote já nasceu.. só p saberes. bjs
March 18th, 2009 at 17:20
Anabela! Que lindo! Muitos parabéns! Beijinhos para o teu “William”!
Eu mesmo ainda não sei como ou quando vai ser o último episódio! Isto é uma verdadeira novela. Assim tens que cá vir espreitar muitas vezes para ver se há novidades!
Hoje quis fazer uma coisa muito esquisita que era instalar estores nas janelas e parece que é preciso uma autorização especial para isso. Aqui a malta normalmente só instala estores nos rés-do-chão e apenas por motivos de segurança. O que é bom é deixar a luz entrar às 4 da manhã (durante o Verão)…
March 19th, 2009 at 17:23
Parabens pela coragem em te meteres numa aventura tão grande!! :p Estou também a viver em Cracóvia há uns meses mas acho que ainda vai demorar um bocado até decidir comprar um apartamento