Foi assim que aconteceu – Parte II
Posted by Tiagowski on March 11th, 2009
Depois de meses a tratar do financiamento e de inúmeras burocracias referentes ao apartamento (em que me chegaram a pedir documentos que nem sequer existem), no final de 2008 recebi finalmente as tão desejadas chaves.
Em Portugal isto significaria, pelo menos na maior parte dos casos, que poderia começar a comprar mobília e a pensar em mudar-me rapidamente para a nova casa. E na Polónia? Bem, na Polónia isto significa apenas que acabara de receber acesso a uma casa com chão de cimento, paredes de cimento e com os espaços da casa de banho e da cozinha totalmente vazios; estava praticamente tudo por fazer! Aliás, “por razões de segurança”, a porta nem tinha ainda instalada a fechadura definitiva.
Na prática isto queria dizer que esta aventura tinha apenas acabado de começar. Agora era necessário escolher todos os materiais para casa até ao mais ínfimo detalhe e arranjar pessoal que fizesse as obras. Parece fácil? Pois… não é!
Numa primeira fase tudo parecia claro na minha mente. O plano era mais ou menos assim: “oh, como isto é a Polónia, a mão-de-obra não é muito cara e por isso posso contratar um designer de interiores que faça um projecto bonito e que me ajude a escolher todos os pequenos detalhes com os quais não me quero preocupar. Depois, tendo o projecto, basta arranjar quem o execute sem que me tenha que chatear MUITO com as obras”. Como estava a ser ingénuo!…
Os primeiros designers que contactei fizeram-me propostas de preços absolutamente absurdas (estou convencido que era o “preço para estrangeiros”), embora incluíssem no serviço o acompanhamento da execução das obras. Infelizmente fiquei quase sempre com a ideia de que as pessoas com quem falei não eram muito honestas e queriam simplesmente facturar o máximo possível, pelo que não me decidi por nenhum.
Como não estava satisfeito com a minha primeira abordagem ao mercado, decidi interrogar amigos polacos já bastante experientes nestas andanças sobre qual a melhor forma de executar as obras. “Oh, não precisas de um designer para nada! O que precisas é de encontrar especialistas para cada função! Contratas um para instalar a casa de banho, outro para o chão, outro para pintar as paredes, um electricista e outro para a cozinha e pronto! Sai muito mais barato! Nós ajudamos-te…” – disseram-me eles. Por esta altura já estava a ver a minha vida a andar para trás. Desde o início que encarei este apartamento mais como um investimento (by the away: “excelente” timming, Tiago! Sim senhor!) do que propriamente como algo em que quisesse perder muito tempo ou com que quisesse ter um alto grau de envolvimento emocional. Mas em Roma, sê Romano e apesar de não estar inteiramente convencido, este passou a ser oficialmente o meu novo plano.
Nas semanas que se seguiram visitei inúmeras lojas à procura dos materiais ideais para a casa. Vi 1000 tipos de chão, 1000 modelos de sanita, de torneiras e de lavatórios, 1000 cozinhas e pesquisei centenas de possíveis cores para as paredes. Afinal, segundo o método polaco, eu iria ter que decidir tudo até ao mais ínfimo dos detalhes! Para terem uma ideia, teria de chegar ao pormenor de dizer ao senhor que instala as coisas na casa de banho onde é que EU queria que ele partisse os azulejos de forma a ficar tudo encaixado de forma elegante. Ao que me explicaram dizer “ò homem, faça como achar que fica melhor!” não é nada boa ideia porque eles não gostam de pensar e normalmente optariam por fazer da forma mais fácil.
Fazer as coisas de acordo com a polish way era o meu novo plano e achava que me ia manter fiel a ele… mas será que foi isso aconteceu?
Não percam o próximo post, porque nós também não!!!
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March 11th, 2009 at 21:37
Estou sim curioso com o próximo post… essa última frase faz-me lembrar uns bonecos japoneses.
sim o polish way infelizmente tira-te mais energia do que te dá. Tenho pessoas conhecidas que estão pelos cabelos para acabar uma casa há 2 ou 3 anos. Nem sempre podem andar por lá e têm sempre de cortar em várias coisas para deixarem a casa à maneira deles porque se for com arquitectos de interiores e o katano como em Portugal vão-te ao bolso e mesmo assim aldrabam muito na maneira de fazer. Mas isso é relativo há tipos e empresas sérias mas ao que parece por cá ou se tem a massa ou então… faça você mesmo.
March 12th, 2009 at 22:47
Olá!
Sou arquitecta estagiária.. de há uns tempos para cá que acompanho o blog que encontrei por intermédio de um blogue de uma amiga de londres (grande confusão!!!) posso dar uma mãozinha just in case. Ahhh a parte boa.. não te vou cobrar por umas dicas (rir!).
Continuação de boa estadia pela Polónia.
March 13th, 2009 at 01:20
Olá Lu! É muito simpática a tua oferta! Agora o apartamento já está quase pronto, mas na parte IV ou V da história sou capaz de aceitar todas as dicas que possas dar! Obrigada por me leres!
Ryan, é óptimo quando me deixam nos comentários testemunhos referentes a vivências na Polónia. Acho que enriquecem muito o blog. Obrigado!
March 13th, 2009 at 13:06
Uui, essa coisa deles venderem a casa assim “nua” e teres que fazer todo o resto dos acabamentos é que e uma coisa que nao cabe la muito na cabeca de ninguem. Mas que raio. Boa sorte entao agora com estas finalizacoes. Fico a aguardar noticias dos avancos no proximo post.
March 13th, 2009 at 13:36
Filipa, se fosse essa a única coisa na Polónia que não passa pela cabeça de ninguém eu era tão feliz!…
O lado positivo é que vou sair daqui muito open-minded e acho que poucas serão as diferenças culturais que encontre por essa Europa fora que me deixarão muito supreendido. A Polónia é realmente um sítio muito especial…