Hoje começo pelo fim. Esta é a minha perna e graças a ela tenho direito a duas semanas de descanso:

Querem saber como é que tudo aconteceu? É só ler o post até ao fim…
Bem, como sabem aqui na Polónia neva muito e para que seja possível conduzir com estas condições climatéricas é necessário montar nos automóveis pneus próprios para a neve – caso se tente conduzir com pneus normais, o carro entra em constante aquaplaning e é impossível de conduzir com segurança.
Já há algumas semanas que eu andava a dizer que "para a semana mudo os meus", mas como ainda
não nevava nem parecia que viesse a nevar tão cedo fui sempre adiando a coisa. Quando finalmente decidi que era hora de mudar descobri que a única forma de ter os pneus com as dimensões necessárias para o meu carro era sob encomenda (pois têm umas medidas pouco comuns). Lá os encomendei, mas azar dos azares, enquanto esperava que chegassem caiu o primeiro nevão do ano!
Com as estradas cheias de neve e gelo era-me impossível conduzir e tive que deixar o carro no parque da empresa onde trabalho durante dois dias.
Os pneus finalmente chegaram, e no Sábado de manhã lá combinei ir com um colega meu à loja para os montar. Como tinha combinado encontrar-me com ele às 9h00 e já eram 9h02 (os Polacos chegam à hora certa e era chato deixar o rapaz ao frio à minha espera) lá acelerei o passo. Sem que me apercebesse, todo o chão à minha volta era gelo e como estava a andar depressa… pafff!
Quando dei por mim estava esticado no chão! Ao tentar levantar-me caí novamente, tal como aquelas pessoas que estou a aprender a patinar. Depois de dizer dezenas de asneiras em poucos segundos, lá me levantei e tentei andar normalmente até ao local combinado.
Passei a manhã a trocar os pneus (havia fila!), voltei a casa, trouxe os pneus de Verão para a varanda e só quando me sentei na sala em frente à televisão é que me apercebi de que a dorzinha que tinha no pé afinal até se via – o meu tornozelo direito estava inchadíssimo (aí umas 3 ou 4 vezes maior do que o normal, parecia uma bola de ténis!) e quanto mais olhava para ele, mais doía!
Meti gelo…
No dia seguinte o inchaço começou a desaparecer e transformar-se numa nódoa negra gigantesca (vá, todo o pé era uma única nódoa negra). Como na Segunda-feira continuava coxo e com o pé negro, lá fui ao médico da empresa. Fizeram-me radiografias e disseram que não estava nada partido, mas ainda assim acharam que eu devia ir a um ortopedista.
Fui na esperança de que ele me desse uma pomada qualquer e me dissesse que poderia ir dois dias para casa descansar. Qual não foi a minha surpresa quando o homem começou a dizer "ah e tal, não está nada partido mas vamos ter que meter gesso para termos a certeza que não forças esse tornozelo"!
E pronto. Entrei para o consultório com uma dorzinha e saí de lá cheio de gesso, com duas muletas e com duas semanas de férias baixa:
Enquanto o médico me punha o gesso eu só me conseguia rir – a Ania que esteve lá comigo diz para além de rir, eu dizia o tempo todo "oh, fdx! oh, fdx! oh, fdx!". É possível. Toda a situação me parecia irreal!
Caramba, eu já fiz coisas mais dolorosas e nunca precisei de gesso. Isto é um raio de uma nódoa negra! Acho que ele só meteu o gesso para justificar a existência ou para receber mais dinheiro do seguro, mas enfim… o xôtor é que sabe!
Claro que quando eu tento explicar aos meus colegas Polacos que não tenho nada, a maioria olha para mim com um ar condescendente e diz coisas do tipo "vá, o importante é que recuperes e fiques bem tratado", como se na verdade tivesse mesmo partido um pé ou qualquer coisa parecida!
Pobre Tiago, que fica duas semanas em casa a ver televisão, a navegar na net e a receber simpáticas visitas que vêm dar apoio moral!