A caça às bruxas

Apesar de viver na Polónia há já algum tempo. a maior parte das politiquices deste paísOs gémeos Jaroslaw e Lech Kaczynski - primeiro ministro e presidente da Polónia têm-me passado ao lado. Conscientemente optei por me manter mais ligado ao que se vai passando em Portugal do que propriamente ao que diga respeito à Polónia. Vejo televisão portuguesa, ouço rádio portuguesa e leio diariamente os jornais portugueses – no fundo vivo praticamente da mesma forma que viveria em Portugal e não é por estar tão longe que me desliguei daquele que é o meu país.

Embora dê pouca importância aos assuntos que dizem respeito à actualidade política polaca por vezes lá vou ouvindo qualquer coisa e normalmente fico negativamente surpreendido.

A última notícia, que causou alguma perplexidade um pouco por todo o mundo, prende-se com a nova “lei da purificação” do passado comunista. Basicamente, o Estado vai obrigar mais de 700.000 polacos (funcionários públicos, toda a comunicação social, gestores de quaisquer empresas cotadas em bolsa e pessoas que trabalhem em universidades ou institutos científicos) a responder à questão “Colaborou secretamente e conscientemente com os serviços de segurança comunistas?” – caso respondam afirmativamente poderão ser despedidos com justa causa, caso mintam e se prove que o fizeram serão impedidos de exercer a sua profissão durante 10 anos!

A grande ironia desta lei é que pode-se dar o caso de os maiores combatentes do regime dictatorial serem mesmo os maiores lesados uma vez que a policia secreta polaca tinha como prática corrente classificar os opositores ao regime como espiões ou informadores secretos de modo a lhes destruir a reputação.

Diz-se ainda que, dada a quantidade absurda de informação que terá de ser analisada, é possível que este processo só esteja concluído em 2023!!!

Para além da “lei da purificação”, a coligação ultraconservadora que governa o país decidiu também durante a última semana que todos os professores homossexuais (aliás que “promovam a cultura homossexual”) deverão ser despedidos. Em estudo está ainda a proibição do aborto em TODAS as circunstâncias, inclusivamente nos casos de violação, incesto ou mal-formação do feto.

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