«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»
É hoje! Infelizmente vou entrar nas estatísticas como abstencionista – para efeitos eleitorais ainda moro em Portugal e por isso caso quisesse votar teria de percorrer mais de 3.000km para o fazer. Aliás, mesmo que estivesse correctamente registado teria sempre de me deslocar a Varsóvia (aproximadamente 300km de comboio para cada lado) pois em Cracóvia não existe qualquer Embaixada ou Consulado português.
Adiante… Nas últimas semanas muito se tem falado desta questão – existem muitos e bons argumentos a favor de cada uma das posições e por isso as discussões que se tenham com um defensor de qualquer delas acabam em 90% das situações por ser inconclusivas uma vez que ambas as partes conseguem apresentar fortes argumentos para suportar a sua decisão.
A opinião que sustento, apesar de não ser imune a críticas que facilmente poderiam destruir a argumentação que lhe está subjacente, é simples. Sou em princípio contra o aborto e penso que jamais seria capaz de pressionar uma mulher a abortar independentemente das circunstâncias. A questão é que eu não vejo que em lado nenhum se pergunte se sou a favor ou contra o aborto!
A minha interpretação da pergunta é a seguinte: será que concordo que um qualquer juiz tenha o direito de inquirir, julgar e condenar a prisão (ou a qualquer outra pena) uma mulher que tenha recorrido ao aborto? Eu penso que não e para mim essa é a questão fundamental! Não vou sequer entrar na discussão sobre se um feto com 10 semanas é ou não é uma vida humana pois essa é uma questão que, para além de ser bastante filosófica, não me parece de todo relevante.
Qualquer opinião que se tenha em relação a esta questão passa essencialmente pela consciência individual de cada um de nós e por isso não vejo muito sentido em tentar convencer alguém que pense em votar NÃO a votar SIM ou vice-versa.
Caso tivesse oportunidade de votar votaria SIM, pois esta é na verdade a única escolha que permite a TODAS as mulheres tomarem a decisão de acordo com a sua consciência individual independentemente da sua posição face ao aborto. No entanto, o importante mesmo é que todos votem, de modo a que a Lei portuguesa possa reflectir aquilo que é a opinião da maioria dos portugueses em relação a esta temática, seja ela qual for. Votem!
Pronto. Foi o primeiro e último post que fiz sobre este referendo…