Fim-de-semana em Praga?!

Em 2003, quando era um Erasmuzito, marquei e desmarquei por duas vezes uma ida a Praga – e, talvez por obra do destino, acabei por nunca visitar a cidade…

Aproveitando o facto de agora viver em Cracóvia (que fica a uma hora de avião da capital Checa) e de ter pessoas amigas que neste momento lá moram decidi tentar pela terceira vez uma ida a Praga. Desta vez tudo parecia estar bem planeado. Aqui está a check list que fiz mentalmente para me certificar que nada ia falhar:

  • Bilhete de avião super barato comprado na Net… check!
     
  • Sítio onde dormir sem gastar dinheiro… check!
     
  • Férias marcadas para segunda-feira… check!
     
  • Comprar uma nova mala de viagem (nem muito grande, nem muito pequena – ideal para os fins-de-semana)… check!
     
  • Comprar um novo despertador (cheio de funções XPTO) para garantir que acordaria a tempo de estar na estação dos comboios às 4h40m da manhã… check!
     
  • Fazer a mala e efectivamente acordar a tempo… check!

Até aqui o plano estava a correr na perfeição e nada faria prever o que se iria passar em seguida.

Para surpresa dos meus companheiros de viagem cheguei a horas à estação. Passados poucos minutos ouvimos nos altifalalantes uma vozinha que, e passo a citar, dizia: “Ah e tal é só para avisar que o comboio para o aeroporto está um quarto de hora atrasadito!”. Tudo bem. Com quinze minutos de atraso ainda era bem possível chegar a horas sem grandes stresses.

Cinco minutos mais tarde ouvimos novamente a vozinha: “Ah, não sei quê, afinal o comboio foi cancelado. Já não vem… seus palermas!”. Sim, ela disse isto em Polaco e o que eu aqui escrevo é uma tradução muito fidedigna feita por moi-même!

Gaita! Lá tivemos que apanhar um taxi para chegar ao aeroporto atempadamente. E assim foi. No entanto, ao chegar, deparámo-nos com a surpresa número dois:

O voo OK771 para Praga estava cancelado!!!! CANCELLED!!!! Depois de uma conversa com os tipos da Czech Airlines o melhor que nos souberem dizer foi “Ah, o avião não chegou a Cracóvia por razões climatéricas. A culpa não é nossa mas não se preocupem que mesmo assim devolveremos o vosso dinheiro!”.

E pronto… A aventura em Praga acabou ali mesmo!

No regresso a Cracóvia ainda tentei comprar o passe para o eléctrico às 7 da manhã, que era a hora a que supostamente o sítio onde os ditos bilhetes se vendem abriria. Esperei (com um dos colegas de viagem) uns 10 minutos ao frio até que deduzimos que na porta estava escrito que aquele espaço só abria no primeiro e no último Sábado de cada mês.

Tentei ficar acordado durante o resto do dia mas acabei por adormecer no sofá sem saber bem a que horas; ao acordar fui à net só para descobrir que o meu Benfica perdera mais uma vez por 3-1!!!!

Foi um dia daqueles…

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Shall We Dance?

Uma das coisas boas de viver na Polónia é que enquanto aqui estou vou fazendo coisas que provavelmente jamais faria se estivesse em Portugal.

A minha mais recente aventura chama-se “Aulas de Salsa” e tenho a certeza de que em Portugal nunca me meteria numa coisa destas. Possivelmente diria que “Não tenho com quem ir”, que “Acho que as aulas de dança são abichanadas” (atenção que ninguém me irá ouvir dizer que isto NÃO é abichanado!!!) ou ainda que “Esta coisa pura e simplesmente não me interessa para nada”.

No entanto, estando a 3.000 km de casa tudo se torna estranhamente diferente e a minha disponibilidade para tentar coisas novas parece ser bem maior.  Bastou que lá na empresa alguém se lembrasse de organizar as ditas aulas para que um grupo simpático de pessoas se inscrevesse nas mesmas. Convidaram-me para ir e pensei: “Porque não?”. E pronto!… Lá estou!

Hoje tive a primeira aula e correu mais ou menos como esperava. Raramente consegui dar dois passos correctos e quando os professores explicavam o que fazer só ouvia “bla bla bla chhh bla bla tch tch bla” (as explicações são dadas em Polaco!). Felizmente as meninas polacas que têm aulas comigo falam um português perfeito e graças a elas de quando em vez lá tinha uma traduçãozeca do que se estava a passar.

O meu jeito para dançar é comparável ao do Pinto da Costa para dizer coisas agradáveis sobre o Benfica, pelo que nem fiquei muito desanimado com o meu desempenho na aula. A partir daqui só posso melhorar!!! :D

PS – Estou a “comprar” o filme Shall We Dance na loja habitual para ver se me motivo para estas aulas. Infelizmente a minha professora não é uma J.Lo mas provavelmente isso já seria pedir demasiado!

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Inverno: Dia 1

Parece que os tipos da meteorologia desta vez acertaram em cheio!

Ontem, quinta-feira, começou mesmo a NEVAR! O famoso Inverno polaco está aí… Dentro de poucas semanas já deverá ser possível ir para as montanhas (que ficam pertíssimo de Cracóvia) fazer ski, snowboard e afins! Iupi!

Aqui ficam umas fotos que tirei ontem de manhã com o telemóvel:

Balada da Neve

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria…
– Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pézitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!…

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
– e cai no meu coração.

Augusto Gil

 

 

 

 

 

 

 

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