No fim-de-semana passado tive oportunidade de presenciar uma manifestação da cultura polaca que até agora me era totalmente desconhecida: o casamento.
O meu amigo Rybek casou-se com a namorada que o acompanhou desde os tempos da Escola Secundária – uma história bonita – e eu não podia deixar de estar presente.
Após uma noite mal dormida (tinha estado nos copos a celebrar o noivado de outro amigo, mas isso é outra história!) lá fiz as cinco horas de viagem que separam Cracóvia da pequena Skierniewice.
Quando cheguei (às 15h30) o casamento estava prestes a começar e à primeira vista tudo me pareceu normal: uma igreja, família e amigos dos noivos, sorrisos nervosos, um padre, etc, etc.
A cerimónia religiosa em si não foi muito diferente daquilo que seria caso o casório tivesse tido lugar em Portugal - o único handicap que enfrentei foi não perceber NADA de NADA do que o padre dizia, mas isso resolvi facilmente recorrendo ao bom velho truque de imitar tudo o que todos os outros presentes faziam.
À saída da igreja começaram a aparecer as primeiras divergências em relação ao “modelo português”. Em Portugal certamente iríamos passar horas e horas a tirar fotografias com os noivos - aqui cada convidado deu um abraço e um bejinho rápido às estrelas da festa de modo a que pudesse ir de imediato para o Hotel onde a acção teria lugar.
O que se passou a partir desse foi completamente surreal e as minhas memórias são muito, mas mesmo muito, vagas! Lembro-me de:
- Que o primeiro brinde dos noivos não foi feito com champagne mas
sim com vodka!;
- Que raramente passavam 10 minutos sem que algum velhote ou que o cantor/artista de variedades contratado para animar o serão se levantassem e começassem a cantar qualquer música que acabava invariavelmente com um shot de vodka bebido por todos os presentes na festa;
- Que por mais danças, canções ou jogos que se fizessem o fim era sempre acompanhado de vodka;
- Ver velhinhas com os seus 70 ou 80 anos a saltar e a dançar às três ou quatro da manhã, depois de terem bebido o mesmo (ou mais) que qualquer outro convidado;
- Ter pensado “Fdx, como é que já bebi 12 shots de vodka e ainda estou sóbrio?”;
- Ser o único estrangeiro e os velhotes que tentavam comunicar comigo acabarem invariavelmente com um sorriso no lábios a dizer “Dwa-Jeden, Dwa-Jeden!” quando percebiam que eu era português (Dwa-Jeden significa Dois a Um, vide posts anteriores sobre a minha ida à bola!);
- Pensar “Hic… hic… neste momento a minha vida parece uma cenas do Les Poupées Russes” (nota: filme que em Portugal se chamou “As Bonecas Russas” e que é a continuação da “Residência Espanhola – um dia escrevo mais sobre isto);
- Ter comido carne crua (rosbife) e ter pensado “Eh pá, isto nem é tão mau como parece!”;!
- Pensar “Raios, como é que vou para o quarto?”.!
Na manhã seguinte (portanto, 4 horas mais tarde!) a festa continuou! Desta vez, os amigos mais próximos deveriam encontrar-se na casa dos pais da noiva para tomarem o pequeno almoço juntos. Na mesa do pequeno almoço havia muita da comida que sobrara da noite anterior e… vodka!!!
Fui um menino e fiquei-me pelo cafézinho com umas fatias de bolo e sandes de queijo. O pequeno almoço durou a manhã de Domingo toda e só à noitinha é que cheguei a casa…
Foi um fim-de-semana LOOONGO, mas bem passado e que irei recordar durante imenso tempo!